A linguagem é a expressão falada ou escrita do pensamento humano. A cada povo corresponde um idioma diferente, variando igualmente através da evolução sua representação gráfica. Esta representação, principalmente no mundo ocidental, é feita por meio do alfabeto.
Anteriormente, essa comunicação era feita por meio de desenhos rudimentares do homem primitivo (hieróglifos).
A evolução da escrita pode ser resumida da seguinte forma:

PICTOGRAFIA – escrita figurada usada pelo homem primitivo para fixar nas paredes das cavernas seus principais feitos como cenas de caçadas, objetos de uso pessoal. Esta palavra deriva do latim “pictus”- pintado, “grafe” – descrição.

IDEOGRAFIA – fixação das idéias através dos símbolos – sinais que são a imagem figurada do objeto.

FONETISMO – os sinais passam a exprimir som, um pássaro, ao invés de simbolizar apenas rapidez, passa a ter valor sonoro de ave.

SILÁBICA – com fonetismo sugeriu a decomposição da palavra em sílabas com a representação de um desenho para cada uma.

ALFABETO – é o conjunto de letras de uma linguagem em ordem convencional, é composta com os nomes das principais letras Gregas:
Aleph – símbolo da “cabeça de boi” – que representa o som A
Beth – símbolo da “casa” – que representa o som B

EVOLUÇÃO DA ESCRITA
Com a aceitação do cristianismo em Roma, a escrita teve seu maior desenvolvimento e a divulgação do evangelho muito ajudou a sua difusão em todas as camadas sociais. No ano 1000, toda a Europa era cristã, e nos mosteiros e conventos os monges se dedicavam a cópia.
Tornou-se indispensável a produção de livros em grande quantidade e com a exigência sempre maior, os copistas abandonam certos princípios clássicos, dando novo caráter e formas mais variadas às letras.
Surge então a xilogravura, pranchas de madeira onde eram esculpidos textos e ilustrações. Em 1436, aproximadamente, Gutenberg fez seus primeiros ensaios, substituindo as pranchas de xilogravura por tipos móveis de madeira (letra gótica), ligados por barbantes. Por se deformar, a madeira foi substituída pelo cobre, mais tarde pelo chumbo e antimônio e hoje utiliza-se como liga o chumbo, antimônio e estanho.

CATEGORIAS DE TIPOS
Francis Thibaudeau, gráfico francês, estabeleceu uma classificação geral dos tipos segundo sua base, agrupando-os em quatro famílias básicas: bastão, egipciana, elzevir e didot.

BASTÃO / LAPIDÁRIA / SEM SERIFA – sem serifa, é o mais simples e legível dos caracteres gráficos.

EGIPCIANA / SERIFA GROSSA – serifa retangular, de difícil legibilidade, pouco usada para leitura corrente.EGIPCIANA INGLESA – arredondamento inferior dos ângulos das serifas.

EGIPCIANA ITALIANA – tem as serifas curtas e reforçadas.

ELZEVIR / ROMANO ANTIGO / ESTILO ANTIGO – serifa triangular, o mais legível em função do efeito que a serifa causa à leitura de um texto.

DIDOT / ROMANO MODERNO / MODERNO – serifa de traço fino, derivada do romano antigo, tem grande distinção dos finos e grossos.

FANTASIA / DECORATIVO – são os caracteres que não se enquadram em nenhum estilo, tem desenho próprio. Geralmente criados em função da moda, ou alguma campanha específica.

ESCRITURA / MANUSCRITA – são caracteres que imitam a escrita manuscrita, inclusive traços de ligação.

Fonte: Vem do latim fundere (fundir).Técnica usada para fazer tipos de metal. Na propaganda, é um termo comum e que, a principio, é possível dizer que significa exatamente a mesma coisa que tipo ou tipologia. No dia-a-dia até pode ser. Ou o Diretor de Arte escolhe essa ou aquela fonte ou escolhe esse ou aquele tipo. É a mesma coisa. Entretanto, fonte, nas artes gráficas, é uma variedade de letras de um mesmo tipo. Um alfabeto inteiro, por exemplo, é chamado fonte. Em programas gráficos como o CorelDraw ou o PageMaker, você encontra o termo fonte. Nas agências, discutindo a criação de uma determinada peça gráfica, é normal perguntarem que fonte ou que tipo será usado.

Família: São as variações que a tipologia oferece. Um mesmo tipo pode ser italic, bold, normal, medium, extra bold, condensada, etc. E são conhecidas como família de tipos.

“Que fonte devo utilizar?
Os deuses de recusam a responder.
Eles se recusam porque não sabem.”
W. A. Dwiggins

CLASSIFICAÇÃO DOS CARACTERES

ONOMÁSTICA – Refere-se ao nome do caracter, a sub-família a que ele pertence.

Geometr 231 BT
Geometr 231Hv BT
Times New Roman
Abadi MT Condensed Light

CORPO – Tem relação com a altura da letra, o menor corpo usualmente empregado é o corpo 6. A tipologia de uma gráfica geralmente varia de corpo 6 ao corpo 72. Mesmo nos atuais processos de editoração eletrônica, conserva-se esse sistema de medida, por força da tradição tipográfica.

Corpo6 Corpo8 Corpo10 Corpo12 Corpo14 Corpo20 Corpo36

ORTOGRAFIA:

CAIXA ALTA – C.A. – quando todos os caracteres estão em letra maiúscula.

CAIXA ALTA

CAIXA BAIXA – C.b. – quando todos os caracteres estão em letra minúscula.

caixa baixa

CAIXA ALTA E BAIXA- C.A.b. – quando os caracteres começam com letra maiúscula e as demais são minúscula.

Caixa alta e baixa

VERSAL – versal – C.A.
VERSALETE – é a letra com o desenho e as características do maiúsculo (C.A.) porém com as dimensões do minúsculo (C.b.)

ESPESSURA – É a variação que o caracter pode ter a partir do seu desenho original.

EXPANDIDA ou EXTENDED – (baixa e larga) –

CONDENSADA ou CONDENSED – (alta e estreita) –

NORMAL – quando o caracter não sofre nenhuma alteração

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V X Y Z
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v x y z
0123456789 !@#$%¨&*( )^~?. , : ; /

TONALIDADE – A partir do desenho original, teremos sua tonalidade alterada aumentando ou diminuindo o branco interior dos caracteres.

OUTLINE – apenas as linhas exteriores dos caracteres são traçadas

INCLINAÇÃO:

REDONDA – normal, eixo central de 90º

ABCDEF abcdef

ITÁLICO ou GRIFO – caracter inclinado, intermediário entre o redondo e o manuscrito.

ABCDEF abcd

ITALIZADO – quando a inclinação é obtida por interferência de uma máquina compositora, esta variação pode ser em graus e tanto para a direita quanto para a esquerda.

NEGRITO – Caracter de traços mais grossos do que o normal que é empregado para dar realce a alguma parte do texto.

ESPACEJAMENTO – Colocar espaços entre palavras ou letras de uma composição, bem como entre blocos de composição.

ALINHAMENTO – É a forma que determina a disposição do texto em uma página impressa, o alinhamento pode ser:

ALINHADO À ESQUERDA
Alinhado à esquerda,
quando o texto começa sempre da
esquerda e termina em qualquer
ponto da direita,
como este exemplo.
ALINHADO À DIREITA
Alinhado à direita, é o oposto
do alinhamento à esquerda, só depende
do produtor gráfico
sua utilização.

A localização do texto, isto é, a posição que ele vai ficar
na página, vai depender da criação,
do layuot da página.

JUSTIFICADO ou BLOCADO
Justificar ou blocar, é compor todas as linhas de um texto exatamente na mesma medida. Para isso, os espaços entre as palavras e as letras podem ser levemente aumentados ou diminuídos, como este exemplo.

CENTRALIZADO

Centralizado,
compor um texto com margens
irregulares à esquerda e à direita,
geralmente sem quebra de palavras, dispondo
todas as linhas regularmente em relação a um
eixo central,
como este exemplo.

ASSIMÉTRICO

O alinhamento assimétrico
é usado quando o produtor gráfico
deseja

romper
o texto em “unidades de pensamento” lógicas,
ou para dar à página
um aspecto mais expressivo.

Este tipo de alinhamento,
deve ser usado com pouco texto

para não cansar

o leitor.

ESCALONADO – É quando o texto contorna uma imagem (desenho, foto, ilustração, etc)

ENTRELINHA – É o espaço entre duas linhas consecutivas de um texto.

A entrelinha pode ser natural, é aquela que acompanha o corpo, como neste exemplo corpo 12/12.

A partir de agora existe uma variação da entrelinha, foi aumentado o espaço claro entre as linhas de composição. C12/18

Neste exemplo, o aumento foi maior que o anterior, mas temos que tomar certos cuidados com as entrelinhas aumentadas, elas podem prejudicar a legibilidade.
C12/28

A entrelinha nunca pode ser
menor do que o corpo.
Caso isto aconteça,
como neste exemplo
as letras vão sobrepor. C 12/10

CAPITULAR – É um caracter com o corpo maior usado no início de capítulos ou textos, a família tipográfica pode ser igual ou diferente da família do texto.

LEGIBILIDADE DOS CARACTERES

A legibilidade de um texto depende da família, do branco interior das letras (tonalidade), do corpo usado, do comprimento da linhas, do entrelinhamento, do espacejamento entre as letras, das margens (mancha gráfica) e do tipo de efeito, positivo ou negativo.

POSITIVO E NEGATIVO

A legibilidade busca proporcionar melhor velocidade de leitura nos blocos de textos.
Os principais elementos gráficos são o branco do papel e o preto do impresso. Como branco entendemos todo o campo de trabalho (mancha gráfica), enquanto que o preto, esta representado essencialmente pelo grafismo impresso, não havendo distinção entre CORES, tanto no suporte quanto do grafismo.
O preto sobre o branco exprime um efeito positivo, que é a forma convencional utilizada na reprodução das mensagens visuais pela suavidade de sua forma plástica, obtendo excelentes resultados de legibilidade.

O branco sobre o preto exprime um efeito negativo. O negativo é usado para atrair a atenção da leitura, de forma a destacar e realçar uma mensagem em relação a outra na mesma página impressa. Este efeito pode causar dificuldade e cansaço no movimento ótico, assim, sua utilização deve ser de forma restrita, atingindo seu objetivo como forma de expressão plástica.

Referência Bibliográfica

FERLAUTO, Cláudio A. R. O tipo da gráfica; uma continuação. São Paulo: Editora Rosari, 2002.
NIEMEYER, Lucy. Tipografia: uma apresentação. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora 2 AB, 2001.
RABAÇA, Carlos Alberto e BARBOSA, Gustavo . Dicionário de Comunicação. 2ª edição revisada e atualizada. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.
WILLIAMS, Robin. Design para quem não é Designer: noções básicas de Planejamento Visual. São Paulo: Callis, 1995