Que ano hein. Primeiro foi a marca da Vale do Rido Doce, que passou a ser chamada apenas de “Vale” e mudou de identidade com um ícone muito semelhante ao de uma outra empresa. Depois veio a marca da copa de 2014, criada por uma das agências de propaganda mais admiradas do país, e rejeitada por um grande número de profissionais de design.

Bom, pensei até que não faltaria mais nada pra acontecer no mundo das marcas. Como sou “ingênuo”. Durou pouco. Como um passe de mágica apareceu a Gap, gigante da área de vestuário, com um novo logotipo. Mas a alegria durou pouco. Em alguns dias a Gap foi alvo de diversas críticas através da internet, de clientes que se diziam insatisfeitas com a mudança. E também como passe de mágica, em onze dias, a Gap se sentiu obrigada a manter o logotipo antigo. Até parece que as empresas contrataram o Harry Poter como consultor de branding.

E quando menos se esperava, veio o Banco do Nordeste com a sua nova identidade. E sinceramente, perdoem minha momentânea falta de percepção, mas quando olhei, meio que rapidamente, achei que fosse uma homenagem de Natal. Sim, porque o ícone lembrava um laço em uma caixinha de presente. Por mais que eu tentasse não pensar no assunto, aquela imagem não saia da minha cabeça. Eu sentia que havia algo de estranho. Não pude me conter, corri para meu computador e fui uma fazer uma pesquisa na internet. Foi então que concluir que era verdade, o BNB, acabara de mudar de marca e pior, ao ler o memorial descritivo da marca, que eles chamam de “explicação da marca”, como se fosse uma desculpa e não uma decisão técnica, descobri que aquele ícone que mais parecia um “laço”, na verdade era um coqueiro.

Confesso que estou sendo forçado a agir como Hamlet, que após perceber e afirmar que havia “algo de podre no reino da Dinamarca”, passou a fingir-se de louco incapaz de compreender o que se passava ao seu redor. Nesse ano de 2010 posso afirmar que estou me sentindo um pouco “perdido”, diferente de quem precisa fingir, não consigo entender como tantos deslizes puderam acontecer num universo que reúne tantas pessoas talentosas. Essa crítica é para que possamos refletir sobre a nossa difícil tarefa como criadores que nos obriga, todos os dias, que tenhamos que provar cada vez mais o quanto somos competentes e criativos.

A Vale com seu “v” verde e amarelo, a Copa 2014 com suas “mãos” entrelaçadas e agora o BNB. O que mais falta ser feito de estranho no “Mundo Encantado da Logolandia”?
Será estou louco de verdade?
Obs: entenda “logomarca” como “logotipo”.